Nos relatórios de tendências de marketing, a Creator Economy vem ganhando há uma década sucessivamente mais importância. No entanto, ainda há poucos trabalhos de pesquisa focados nos próprios criadores. Ainda que restrito aos EUA, o documento Creator Economy Report, produzido pela The Influencer Marketing Factory em parceria com HypeAuditor é valioso para todos que trabalham com marketing de influência.
Ao analisar tendências, baseado em dados de mais de 5 milhões de contas no Instagram, TikTok e YouTube, e uma pesquisa com 1.000 criadores americanos realizada em janeiro de 2026, informações importantes sobre microinfluenciadores são reveladas. Segundo o relatório, a estimativa é que sejam em torno de 95% dos perfis.
Crescimento Explosivo do Mercado
Citando outro relatório de marketing, o texto começa indicando que o gasto em anúncios com criadores nos EUA deve atingir 43,9 bilhões de dólares em 2026, representando um aumento de 18% em relação ao ano anterior.
Esse boom é impulsionado por parcerias diretas, amplificação paga e “adjacências” de conteúdo (como stories colaborativos ou conteúdo gerado pelo criador que é reutilizado). E lembra que a população global de criadores deve crescer, a partir do ano passado, a uma taxa composta anual de 10% - segundo a já famosa estimativa do Goldman Sachs.
A distribuição de renda segue uma proporção desigual: 48,7% ganham menos de US$ 10 mil por ano, 45,6% entre US$ 10 mil e US$ 100 mil, e somente 5,7% acima de US$ 100 mil.
Mas com uma boa notícia: 51,5% relataram aumento de ganhos em relação a 2025. E a diversificação é chave, com vendas de produtos/merchandising e marketing de afiliados representando 21,2% da renda total dos criadores. TikTok lidera o potencial de ganhos, seguido por YouTube e no Instagram.
Microinfluenciadores dominam o ecossistema
Um dos destaques do relatório é saber de forma mais qualitativa como os influenciadores preferem trabalhar. Um dado interessante que corrobora impressões de quem já opera no mercado: 44,9% preferem parcerias de longo prazo por estabilidade, em vez de campanhas únicas. A IA é vista por 56,1% como positiva e transformadora, usada principalmente para edição, ideias e agendamento. E 38,7% das contas têm entre 1 e 3 anos de experiência.
Como mostra o gráfico abaixo, lifestyle é o nicho dominante (21,5%), mas na discriminação por rede social, no TikTok o termo é muito menos usado do que no YouTube e Instagram, ainda que Fashion seja o primeiro colocado e Beauty o segundo colocado na rede social chinesa.

A categoria que performa melhor também muda de plataforma para plataforma como indica a tabela abaixo.

O relatório sintetiza: "A economia dos criadores em 2026 é dominada por microinfluenciadores e criadores pequenos, revelando uma competição massiva no nível de entrada e o desafio de romper para construir audiências sustentáveis."
Como eles usam outra definição de microinfluenciador (até 50 mil, e não 100 mil seguidores) os dados são distintos dos brasileiros disponíveis, mas ainda chamam atenção: 95.4 % dos criadores no Instagram são microinfluenciadores, 91,5% no TikTok e 85,5% no YouTube.

Ao final, o relatório dá recomendações para marcas e influenciadores:
- Marcas devem co-criar com criadores.
- Criadores precisam profissionalizar com foco em produção de vídeo e branding, além de comunidades pagas (40,3% planejam lançar).
- Com 80% das marcas mantendo ou aumentando orçamentos em criadores em 2025, o foco deve ser extensões no ciclo de vida do conteúdo.
- Para otimizar investimentos, marcas precisam segmentar microinfluenciadores que oferecem engajamento superior em plataformas.
- Ambos os lados ganham com alinhamento: marcas amplificam conteúdo via mídia paga, enquanto criadores constroem estabilidade.
Na Creator Economy, escala não é sinônimo de mega. É sinônimo de precisão — e as marcas que dominam isso já saíram na frente.



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